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31 de março de 2020

Adaptação amplia capacidade de respiradores disponíveis em Bento Gonçalves

Projeto já é aplicado com sucesso em outras partes do mundo, em eventos que podem sobrecarregar o sistema de saúde, como a pandemia de Covid-19

A preocupação com o número de respiradores disponíveis nos hospitais cresceu nas últimas semanas, em função do avanço do Coronavírus (Covid-19) no Brasil. Em uma situação mais crítica, o total de equipamentos deste tipo presentes nas instituições de saúde dificilmente seria suficiente para dar conta de um grande volume de pacientes necessitando do serviço ao mesmo tempo.

Esse temor também chegou a Bento Gonçalves e à região da Serra Gaúcha. O município dispõe atualmente de cerca de 50 respiradores – 40 no Hospital Tacchini, único da cidade, e 10 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h). Graças a uma adaptação executada pelo engenheiro Marcio Chiaramonte, a cidade poderá ampliar a capacidade de uso dos respiradores caso haja um aumento expressivo na demanda. Utilizando simples componentes de uso hidráulico, o dispositivo obtido permite que um respirador atenda a duas ou até quatro pessoas de forma simultânea.

Chiaramonte contribuiu socializando seu conhecimento acerca de uma ideia que já tem sido aplicada com sucesso em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de outras partes do mundo, inclusive na Itália, onde a pandemia instaurou um cenário de verdadeiro caos, com elevado número de mortes. No Brasil, alguns municípios também já trabalham para emprega-la, a exemplo da cidade gaúcha de Canoas.

Em Bento Gonçalves, a proposta de aderir à técnica emergencial partiu de médicos da UPA e técnicos do Tacchini, e ganhou o suporte de Chiaramonte na execução.  O modelo tem um protótipo em formato de Y ou T, empregando itens baratos, como conexões de PVC ou de cobre, ampliando as saídas de oxigênio graças à instalação dos novos conectores. “Claro que o nosso maior desejo é não chegar a precisar de uma intervenção destas, mas, se houver necessidade, ela realmente funciona e pode ajudar muito, com materiais que estão facilmente à nossa disposição”, afirma Chiaramonte.

Mesmo se tratando de uma improvisação, o projeto mantém cuidado redobrado com relação aos componentes que protegerão os pacientes dos riscos de outras contaminações. Há, pelo menos, duas barreiras para evitar que isso aconteça: o uso de um filtro bacteriano hidrópico entre o tubo traqueal e a traqueia, que ajuda também no aquecimento dos gases inalados e estabelece uma proteção contra bactérias e vírus; e outro filtro com alta barreira viral colocado junto ao aparelho, para evitar a entrada de ar com algum vírus.

No município, sete respiradores da UPA já receberam essa melhoria – com peças adquiridas e doadas pela Meber Metais, empresa em que Chiaramonte exerce o cargo de diretor.

Estudo de 2006 valida a técnica

Em um vídeo bastante visualizado no YouTube, a médica Charlene IrvinBabcock explica que, ainda em 2006, publicou, ao lado de Greg Neyman, um estudo pela Universidade de Michigan (EUA) que trata da adaptação nos respiradores a fim de atender o máximo de pessoas em situações de grandes tragédias. A profissional ressalta que, além de os pacientes estarem sedados, é importante que tenham um quadro clínico semelhante, para que o compartilhamento da ventilação mecânica ocorra de forma mais segura.

Outro aspecto destacado pela médica é a possibilidade de eventual contaminação cruzada entre os usuários do mesmo respirador. Nesse sentido, ela salienta duas questões importantes: a primeira é que o tubo é uma “via de mão única”, o que reduz significativamente essa possibilidade; a segunda é que, no caso do atendimento a infectados pelo Covid-19, essa preocupação é descartada pelo fato de já se tratarem de pessoas contaminadas pela mesma doença.

Charlene reitera que o procedimento não é convencional, mas, se bem operacionalizado, diante de algum evento de sobrecarga da rede de saúde, pode ter resultados muito satisfatórios. Como recomendação aos hospitais que pretendam utilizá-lo, ela sugere que o assunto seja debatido de forma clara e transparente com as famílias envolvidas.

O vídeo original está disponível neste link, no canal de Charlene: https://youtu.be/uClq978oohY.

Também há uma versão com legendas em português neste link: https://youtu.be/vlweSxaKfWo.

Crédito das imagens: divulgação Hospital Tacchini

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